Comitê de Infraestrutura debate o potencial de xisto no estado

O Comitê de Infraestrutura do Movimento Pró-Paraná e do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) recebeu, em sua reunião semanal, nesta terça-feira (10/05), Ricardo Henrique Kozak, engenheiro químico formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e especialista na área de xisto no Brasil.

O presidente do MPP, Marcos Domakoski, iniciou a reunião, juntamente com o coordenador do comitê, Luiz Roberto Bruel. O IEP foi representado pelo engenheiro Paulo Peterlini, presidente em exercício do instituto. Após as saudações, Kozak iniciou a apresentação relatando como ocorre a extração de xisto, atividade que, com as novas tecnologias, oferece crescentes perspectivas de investimento.

Kozak comentou sobre a polêmica do fracking, que é totalmente inadequado para a exploração nas reservas de xisto pirobetuminoso, da formação de Irati. O especialista também discorreu sobre a possibilidade de se explorar as reservas de xisto não como combustível, mas sim para fins petroquímicos.

O engenheiro apontou que nos Estados Unidos o gás pode ser aproveitado através da utilização de tecnologias de fragmentação hidráulica e fracking. Para isso, uma alternativa é a injeção de vapor de alta pressão para a liberação do produto. Na perspectiva do especialista, o impacto ambiental dessa prática é grande, o que a torna bem menos adequada que a exploração das reservas existentes no Paraná, que são referências em termos de exploração de jazidas minerais.

Para Kozak, a mineração em São Mateus do Sul é exemplo de boas práticas em matéria de proteção ambiental. Ele esclareceu ainda que a denominação de xisto pirobetuminoso serve para estabelecer a diferença entre os termos “betume” e “querogênio”. Também comentou sobre o livro “Xisto – energia em potencial”, que contém dados referentes à exploração do xisto no Brasil e dados para a implantação da usina protótipo de Irati em São Mateus do Sul.

O palestrante destacou as instalações da Petrobras existentes em São Mateus do Sul e a manutenção de funcionários. Nela se prevê a necessidade de implantações de unidades industriais de processo nas áreas de petróleo, petroquímica, química em geral e indústrias correlatas. Esse conjunto, avalia, é fundamental para o desenvolvimento tecnológico do Brasil no setor. Ainda em relação a essa planta da Petrobra, Kozak falou sobre a manutenção do Centro de Pesquisa, tema que deve ser acompanhado pelo MPP e pelo IEP.

Como conclusão, Kozak apontou um projeto sustentável para gerações de famílias que seriam beneficiadas. O escopo prevês envolver o governo do estado, a Petrobrás, empresas privadas e os proprietários de terras das áreas já exploradas e a explorar.

No final da apresentação, o engenheiro sugeriu cessar as discussões sobre fracking no Paraná, a fim de que as atenções sejam voltadas para o aproveitamento do gás natural existente no município de Pitanga, algo que poderá trazer um grande desenvolvimento socioeconômico para a região central do Paraná.