Pró-Paraná e IEP promovem debate sobre a recuperação da orla de Matinhos

Os presidentes do Movimento Pró-Paraná, Marcos Domakoski, e do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), Nelson Gomez, promoveram na quinta-feira (28/10) reunião on-line para tratar da recuperação da orla de Matinhos. Gomez, disse que a entidade recebeu e analisou a documentação do projeto elaborado pelo Instituto Água e Terra. “É o estado da arte em matéria de recuperação costeira. Consideramos o projeto muito adequado às necessidades no nosso litoral”, afirmou. Marcos Domakoski, presidente do Movimento Pró-Paraná, manifestou sua honra e alegria pelo interesse de entidades da sociedade civil no debate. “O Pró-Paraná e o IEP produziram nota técnica conjunta apoiando o projeto. Além de mirar o desenvolvimento, ele tem um caráter social, livrando a população local, nas áreas mais carentes, do drama das enchentes que já testemunhei pessoalmente”, disse. Domakoski lembrou ainda que, em relação à qualidade do projeto, sempre haverá quem aponte problemas. “Se quiser achar um defeito em projetos, posso escolher qualquer edifício de luxo em Curitiba. Certamente vou achar uma falha”, ressaltou em apelo para que todos baixem as armas e optem pelo diálogo em vez de radicalismos.


Representando a OAB Paraná, o presidente da Comissão de Infraestrutura e Desenvolvimento Sustentável da entidade, Heroldes Bahr Neto, destacou que tanto o desenvolvimento sustentável quanto o meio ambiente são garantias fundamentais pela Constituição. Citando o baixo IDH de Matinhoa (715º lugar) em comparação com o de Balneário Camboriú (4º), ele afirmou: “Devemos buscar formas de alcançar o desenvolvimento sustentável com todos os cuidados ambientais necessários e diálogos francos”.


O diretor de urbanismo de Matinhos, Maurício Piazetta, representando o prefeito da cidade, Zé da Ecler, fez um apelo: “Camboriú tem uma roda gigante e um teleférico no meio da Mata Atlântica. Jurerê e Piçarras também já estão com projetos para novas engordas. Em Canasvieiras, Florianópolis, a engorda já foi feita. Não podemos mais conviver com a atual situação. Matinhos, sem praia, não é nada.


O geólogo Everton Souza, presidente do Instituto Água e Terra, autarquia vinculada à Secretaria do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo do Paraná, apresentou o projeto cujos pontos principais envolvem:
• engorda da faixa de praia em duas etapas, a primeira com 2,7 milhões de metros cúbicos e a segunda com 3,2 milhões de metros cúbicos de areia;
• revitalização urbanística com o plantio de espécies nativas (jerivá, ipê-amarelo e angelim rosa);
• passarelas de acessibilidade
• recuperação da restinga
• monitoramento da fauna, dos manguezais da Baia de Guaratuba, dos recurso hídricos e dos tetrápodes de contenção
• gerenciamento de riscos e acidentes com derramamento de petróleo e outros efluentes


Na primeira etapa o projeto foi orçado em R$ 381 milhões, mas deve custar 17% de acordo com o menor preço proposto na licitação, que está em andamento. A empresa vencedora deve ser conhecida na próxima semana, apesar de uma ação do Ministério Público, ainda não acatada pela Justiça, questionar a obra.
A recuperação, de acordo com os presentes ao debate sobre o tema, deve ser acompanhado de intenso trabalho de educação ambiental, especialmente para combater o lançamento indevido de esgoto.
Também estiveram na reunião do MPP e do IEP, todos em participação virtual, o deputado Nelson Justus, representando o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Ademar Traiano; o presidente do CREA-PR, arquiteto Ricardo Rocha Oliveira; o superintendente do Ibama, agrônomo Luiz Antônio Corrêa Lucchei; o superintende de parcerias e inovação da UFPR, Helton José Alves, representando o reitor da instituição, Ricardo Marcelo Fonseca; e a procuradora de Justiça Samia Saad Galloti Bonavides, representando o procurador-geral de Justiça do Ministério Público do Paraná, Gilberto Giacóia.